Atuei como
Game Designer · Produtora

Game Designer · Produtora
Pesquisa, curadoria, experiência educativa e design de regras.
Aprendizado cultural por meio de observação, repetição e associação.
O ConectArte foi desenvolvido em parceria com o Instituto de Arte HIrna Martendal com o objetivo de transformar o aprendizado sobre história da arte em uma experiência lúdica e acessível. A proposta do jogo parte da associação entre artistas e suas obras, estimulando a observação, a memória visual e o reconhecimento de diferentes estilos artísticos. Cada artista é representado por um conjunto de quatro cartas: uma carta de identificação, contendo seu nome e o movimento artístico pelo qual se destacou, e outras três cartas ilustradas com obras de sua autoria. Durante a partida, os jogadores devem formar pares ou completar conjuntos pertencentes ao mesmo artista, utilizando a mecânica de memória como principal forma de interação.

As primeiras propostas de design exploravam uma mecânica de associação mais complexa, na qual as cartas de artistas e as cartas de escolas artísticas seriam independentes, exigindo que os jogadores relacionassem corretamente ambos os elementos. Embora essa abordagem pudesse aprofundar o conteúdo educativo, durante a fase de concepção foi identificado que ela aumentaria significativamente a complexidade das regras e demandaria um processo de balanceamento mais extenso. Além disso, como o público-alvo incluía jogadores mais jovens, uma mecânica com múltiplas possibilidades de associação poderia tornar a aprendizagem inicial mais lenta e comprometer a fluidez da experiência. Outro fator considerado foi que diversos artistas de destaque participaram de mais de um movimento artístico ao longo de suas carreiras, o que poderia gerar ambiguidades na classificação e tornar algumas combinações questionáveis. Em função dessas limitações, optou-se por integrar o nome do artista e sua principal escola artística em uma única carta, preservando o valor educativo do jogo ao mesmo tempo em que simplificava as regras, reduzia o tempo de explicação e proporcionava uma experiência mais intuitiva para o público.

Como um dos principais objetivos do projeto era criar uma ferramenta de apoio ao ensino de história da arte, as regras foram desenvolvidas para incentivar o aprendizado de forma natural, utilizando observação, repetição e associação em vez de memorização forçada. Para reforçar esse aspecto educativo, o manual do jogo reúne todos os artistas presentes no baralho, suas respectivas escolas artísticas e as obras utilizadas nas cartas. Durante os testes e a definição das regras, foi estabelecido que jogadores iniciantes poderiam utilizar o manual como material de consulta ao longo da partida, favorecendo a criação das primeiras associações entre artistas, movimentos artísticos e suas obras. À medida que os participantes se familiarizam com esse conteúdo, o jogo pode ser realizado sem esse apoio, transformando o conhecimento adquirido em parte da própria mecânica. Dessa forma, a repetição das partidas contribui para que os jogadores passem a reconhecer os estilos artísticos, relacionem as obras aos seus respectivos autores e identifiquem os principais movimentos de maneira progressiva e intuitiva.

Desde as etapas iniciais do projeto, o sistema foi concebido para ser modular e expansível. A estrutura das cartas e das regras foi padronizada de forma que novos artistas possam ser incorporados sem a necessidade de alterar a mecânica principal do jogo. Essa abordagem permite o desenvolvimento de futuras expansões ou edições temáticas, contemplando diferentes períodos históricos, movimentos artísticos ou artistas regionais, mantendo a compatibilidade entre as versões. Além de ampliar a vida útil do produto, essa escalabilidade possibilita adaptar o nível de dificuldade ao público-alvo e expandir gradualmente o conteúdo educativo, oferecendo novas oportunidades de aprendizagem sem exigir que os jogadores reaprendam as regras.

A seleção dos artistas e das obras também foi utilizada como um recurso de balanceamento da experiência. O conjunto de cartas combina artistas amplamente reconhecidos pelo público com outros de menor popularidade, criando intencionalmente uma curva de dificuldade que incentiva os jogadores a ampliar seus conhecimentos ao longo das partidas. Essa progressão também foi aplicada individualmente a cada artista: para cada um deles, foi escolhida uma obra icônica, uma obra relativamente conhecida e outra menos difundida. Dessa forma, os participantes tendem a identificar primeiro os conjuntos mais familiares, garantindo pontos com maior facilidade, enquanto os artistas e obras menos conhecidos passam a ser aprendidos por meio da repetição e da associação visual durante o jogo. Para preservar a consistência do conteúdo educativo, todas as obras selecionadas pertencem ao período em que cada artista esteve mais associado ao movimento artístico indicado em sua carta de identificação. Essa decisão evita associações conflitantes entre diferentes fases da carreira dos artistas e reforça a relação entre autor, produção artística e escola, tornando o processo de aprendizagem mais coerente e intuitivo. A curadoria dos artistas e das obras também levou em consideração aspectos legais relacionados ao uso do material. Todas as pinturas utilizadas no jogo pertencem ao domínio público ou possuem direitos autorais que permitem sua reprodução, garantindo a viabilidade de produção e comercialização do projeto sem restrições de licenciamento. Esse critério foi incorporado desde o início do desenvolvimento, permitindo que as decisões de design estivessem alinhadas não apenas aos objetivos pedagógicos e estéticos, mas também à viabilidade técnica e jurídica do produto.

Resultado
Este espaço reunirá as fotos da versão final do jogo.